sábado, 25 de junho de 2011

Bota de Carlota

Em 89, Carlota
Foi dar uma volta
Mais não tinha um pé de sua bota
Que comprou na oferta

Nara não dava nada
E tinha a pele parda
Quando ela era ajudada
Pela bota roubada

Mais Carla não gostava
E a fofoca se espalhava
Carlinha quem mais fofocava
Fez parar no ouvido daquela que roubava

Sua amiga Laila ficou nervosa
Então contou para seu pai, Barbosa
Ele foi na casa de Carlota, que estava comendo uma bala deliciosa
Mais depois de saber a notícia, ficou muito raivosa

Sua prima Sirma
Quando ouviu a fofoca, pulou da cama
Então ela foi pegar a bota com uma arma
Mais sua tia, nada calma

Então Carlota ficou sabendo por Marta, assim, amarrada ficou sua cara
Correu para se esconder na casa de uma senhora
Que estava quetinha comendo uma pera
E à expulsou com a vassolra

Ai se escondeu atraz da casa de dona Lala
A do verso de lá
Ela descobriu e nela
Lançou uma torta da canela

Toda melada, correu para rua da dona Liria
Mais a Carlota por lá ia
Estava dando uma olhada na sapataria
Quando vio Carlota, Nara,quando rápido corria
Já se despedia
Mais Carlota muito sofria
Com sua bota que rapido desaparecia
Pensando bem, como isso acabaria?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sem pé nem cabeça

Lara
Lata
Lâmpada
Laranja

Jipe
Gripe
Manga
Manta

Salto
Sapo
Caio
Calo

Lara chura a lata
Que quebra a lâmpada e derruba a laranja
Que cai no meu Jipe onde a, a...
Athin, peguei uma gripe

De lá dei um salto
Quando vi um sapo
E só na risada Caio
A ver o seu calo

Opa,
Esqueci a minha manga
De baixo da minha cama
Sujando a minha manta

sábado, 28 de maio de 2011

Por acaso, um caso

Em busca de especiarias, confrontando os
perigos do mar,
Saíram, portugueses dispostos a navegar
Por mares sombrios, tenebrosos,
com sereias e monstros assombrosos
a espera de marujos para enfeitiçar
e devorar

Não por acaso os marujos partiram,
Mas como forma de coragem é que de lá sumiram

Voltaram muitos com histórias para contar,
outros porém, na lembrança vão ficar

Nesta rota, tão distante,
tão distinta de outros casos
Encontraram novas terras
no caminho, por acaso?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Relâmpago

O meu cachorro Relâmpago
se acordou com sarampo.

Veio a dona Manoela:
"Deve ser varicela".

E depois a dona Dora:
"Para mim é catapora".

E dona Fabíola:
"Mais parece varíola".

Por fim, o veterinário:
"Oh, que belo disparate!
O cachorro se manchou
é com molho de tomate"

domingo, 22 de maio de 2011

Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Visão 1944


Meus olhos são pequenos para ver
a massa de silêncio concentrada
por sobre a onda severa, piso oceânico
esperando a passagem dos soldados.


Meus olhos são pequenos para ver
luzir na sombra a foice da invasão
e os olhos no relógio, fascinados,
ou as unhas brotando em dedos frios.

Meus olhos são pequenos para ver
o general com seu capote cinza
escolhendo no mapa uma cidade
que amanhã será pó e pus no arame.

Meus olhos são pequenos para ver
a bateria de rádio prevenindo
vultos a rastejar na praia obscura
aonde chegam pedaços de navios.

Meus olhos são pequenos para ver
o transporte de caixas de comida,
de roupas, de remédios, de bandagens
para um porto da Itália onde se morre.

Meus olhos são pequenos para ver
o corpo pegajento das mulheres
que foram lindas, beijo cancelado
na produção de tanques e granadas.

Meus olhos são pequenos para ver
a distância da casa na Alemanha
a uma ponte na Rússia,
onde retratos, cartas, dedos de pé bóiam em sangue.

Meus olhos são pequenos para ver
uma casa sem fogo e sem janela
sem meninos em roda, sem talher,
sem cadeira, lampião, catre, assoalho.
Meus olhos são pequenos para ver
os milhares de casas invisíveis
na planície de neve onde se erguia
uma cidade, o amor e uma canção.
 Meus olhos são pequenos para ver
as fábricas tiradas do lugar,
levadas para longe, num tapete,
funcionando com fúria e com carinho.

Meus olhos são pequenos para ver
na blusa do aviador esse botão
que balança no corpo, fita o espelho
e se desfolhará no céu de outono.

Meus olhos são pequenos para ver
o deslizar do peixe sob as minas,
e sua convivência silenciosa
com os que afundam, corpos repartidos.

Meus olhos são pequenos para ver
os coqueiros rasgados e tombados
entre latas, na areia, entre formigas
incomprensivas, feias e vorazes.

Meus olhos são pequenos para ver
a fila de judeus de roupa negra,
de barba negra, prontos a seguir
para perto do muro - e o muro é branco.

Meus olhos são pequenos para ver
essa fila de carne em qualquer parte,
de querosene, sal ou de esperança
que fugiu dos mercados deste tempo.

Meus olhos são pequenos para ver
a gente do Pará e de Quebec
sem notícias dos seus e perguntando
ao sonho, aos passarinhos, às ciganas.

Meus olhos são pequenos para ver
todos os mortos, todos os feridos,
e este sinal no queixo de uma velha
que não pôde esperar a voz dos sinos.

Meus olhos são pequenos para ver
países mutilados como troncos,
proibidos de viver, mas em que a vida
lateja subterrânea e vingadora.

Meus olhos são pequenos para ver
as mãos que se hão de erguer, os gritos roucos,
os rios desatados, e os poderes
ilimitados mais que todo exército.

Meus olhos são pequenos para ver
toda essa força aguda e martelante,
a rebentar do chão e das vidraças,
ou do ar, das ruas cheias e dos becos.

Meus olhos são pequenos para ver
tudo que uma hora tem, quando madura,
tudo que cabe em ti, na tua palma,
ó povo! que no mundo te dispersas.

Meus olhos são pequenos para ver
atrás da guerra, atrás de outras derrotas,
esta imagem calada, que se aviva,
que ganha em cor, em forma e profusão.

Meus olhos são pequenos para ver
tuas sonhadas ruas, teus objetos,
e uma ordem consentida (puro canto,
vai pastoreando sonos e trabalhos).

Meus olhos são pequenos para ver
esta mensagem franca pelos mares,
entre coisas outroras envilecidas
e agora a todos, todas ofertadas.

Meus olhos são pequenos para ver
o mundo que se esvai em sujo e sangue,
outro mundo que brota, qual nelumbo
- mas vêem, pasmam, baixam deslumbrados.